HR Today: como a neuroarquitetura dinamiza os espaços de trabalho
Edição de maio de 2023
Estima-se que, em média, passamos 90% do nosso tempo em ambientes fechados. Cuidar do layout e da atmosfera dos espaços de trabalho torna-se, portanto, uma prioridade, pois o ambiente em que circulamos tem impacto direto sobre o humor, o bem-estar, a motivação e a produtividade dos colaboradores.
A neuroarquitetura representa a união da neurociência, da psicologia e da arquitetura na análise do comportamento humano. Seu objetivo é avaliar como o ambiente físico, ao interferir na atividade cerebral, pode impactar a saúde física e emocional. Conceito já bastante difundido no exterior, ela ainda é pouco conhecida na Suíça, embora seu potencial seja imenso, sobretudo por causa dos invernos longos e escuros. Em seus projetos, os arquitetos deveriam poder se apoiar nesses valiosos elementos da neurociência para que os ambientes de trabalho estimulem o cérebro e despertem emoções e comportamentos favoráveis ao trabalho. Veja a seguir algumas pistas concretas da neuroarquitetura aplicada ao mundo do trabalho.
A importância da iluminação
Partindo do fato de que a luz do sol favorece a produção de vitamina D e a liberação de melatonina, a neuroarquitetura busca valorizar a luz natural nos escritórios propondo, por exemplo, claraboias, aberturas horizontais ou verticais nas paredes ou ainda a disposição das mesas perto das janelas. A iluminação artificial passa então a ser complementar. As lâmpadas brancas «frias» tradicionais, por exemplo, são usadas nas salas de reunião para favorecer a concentração. Já as lâmpadas quentes, de tons amarelados, transmitem ao cérebro uma sensação de tranquilidade e aconchego, ideais para uma sala de espera, por exemplo.
A escolha das cores
Os tons pastel ou claros ajudam a transmitir tranquilidade e calma e permitem ampliar visualmente os ambientes. No entanto, usados em excesso, provocam uma sensação de monotonia e frieza. Os tons vibrantes, como o rosa-choque, o amarelo intenso e o verde vivo, costumam estar ligados à criatividade e ao dinamismo, mas devem ser usados com moderação. Por fim, os tons escuros, que expressam seriedade, são mais indicados para espaços muito amplos do que para os pequenos, onde rapidamente provocariam uma sensação de opressão.
Em conexão com a natureza
O design biofílico, parte integrante da neuroarquitetura, busca melhorar a qualidade e a circulação do ar e o ritmo cardíaco. Integrar plantas de interior e padrões naturais melhora a experiência multissensorial e estimula a conexão visual. Os materiais naturais, a presença de água e a luz natural representam, entre outras, tendências do design biofílico. Esses elementos podem assumir a forma de vasos suspensos, jardins verticais e miniplantas, entre outros.
Interação entre colaboradores e respeito à privacidade
O conceito de neuroarquitetura leva em conta tanto a criação de ambientes colaborativos quanto individuais. Para respeitar a privacidade de cada colaborador, os escritórios abertos deveriam oferecer espaços silenciosos, ou até fechados, para reuniões virtuais, ligações, conferências, leitura e chamadas particulares.
Em relação ao ruído de fundo, a natureza da atividade da empresa dá o tom. Em um escritório onde as tarefas exigem muita concentração, o conforto acústico e a tranquilidade são indispensáveis. Segundo as recomendações, o nível de decibéis, correspondente aos ruídos e ao ambiente sonoro dos aparelhos, deve ficar entre 60 e 65 decibéis, para evitar mudanças repentinas de humor ou queda de produtividade.
Considerando o impacto do ambiente sobre o cérebro, planejar um espaço de trabalho com base na neuroarquitetura representa um investimento vantajoso a longo prazo. Muito além do aspecto estético, a produtividade dos colaboradores é estimulada e a qualidade de vida reforça a fidelização à empresa.
Confira o artigo completo: https://www.hrtoday.ch/fr