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Neuroarquitetura e biofilia · 08.03.2024 · 4 min de leitura

Neuroarquitetura, uma aliada da inclusão

Neuroarquitetura, uma aliada da inclusão

Nesta semana, um artigo sobre a RK Interiors e seu foco em neuroarquitetura foi publicado no 24 Immobilier (Link). Você pode ler o texto completo do artigo abaixo:

Repensar espaços de trabalho, salas de espera ou salas de aula para que todos se sintam melhor neles: esse é o papel de uma nova disciplina que transita entre a arquitetura e a neurociência.

Neuroarquitetura, uma aliada da inclusão

A neuroarquitetura busca entender como o ambiente construído afeta nossas emoções, nossos comportamentos e nossos pensamentos. – Renata Koglin

Existe um termo, neuroarquitetura, que aos poucos vem ganhando espaço junto ao público e aos profissionais. Pouco conhecida na Suíça, a disciplina combina arquitetura e neurociência.

Ela se deve a um biólogo e pesquisador norte-americano, Jonas Salk, que não conseguia mais trabalhar e foi para Assis (Itália). Na volta, ele criou a primeira vacina contra a poliomielite. Convencido de que foi o traçado da cidade, favorável à reflexão e ao surgimento de ideias, que tornou isso possível, ele fundou, com o arquiteto Louis Khan, o Instituto Salk, dedicado à neuroarquitetura.

O objetivo é identificar o que, no ambiente construído, afeta positivamente o nosso cérebro e, portanto, nossas emoções, nossos comportamentos e nossos pensamentos.

Na época, a recepção do conceito pelos profissionais foi bastante reservada. Em 1998, com a descoberta pelo neurocientista e geneticista norte-americano Fred Cage de que o cérebro continua produzindo neurônios na idade adulta em função de certos estímulos do ambiente, a ideia renasceu. Nos países anglo-saxões, ela passou a fazer parte do vocabulário do design.

Cores, iluminação, acústica

A escolha das cores, a importância da iluminação (natural ou não), a conexão com a natureza, as interações entre as pessoas nos espaços públicos e privados e a acústica são alguns dos elementos em que a neuroarquitetura se apoia.

Renata Koglin os incorporou ao seu trabalho como arquiteta de interiores. «Elementos como a iluminação ou a cor de um espaço determinam as sensações que temos quando vivenciamos o design. A neuroarquitetura procura entender como o ambiente arquitetônico influencia nossos processos mentais e, consequentemente, nosso comportamento, para aplicar essas descobertas ao projeto e à construção de espaços que melhorem o nosso bem-estar», explica ela.

O desafio é entender por que certos lugares estimulam ou dificultam determinados estados de espírito e, a partir disso, projetá-los para atingir um objetivo específico: um escritório menos estressante, um hospital que facilite a recuperação ou uma escola que favoreça a aprendizagem», acrescenta.

O que pensam outros profissionais da área? «Reconheço ali algumas das teorias antropológicas e psicossociais que li bastante e das quais gosto muito», afirma o arquiteto e urbanista EPFL-FSU Laurent Guidetti, da Tribu Architecture. Embora reconheça que uma abordagem sensível e psicossocial do espaço é necessária, ele considera que um rótulo não é indispensável para isso. «Em matéria de inclusão, precisamos (mais do que de normas ou regras) pensar de outra forma a relação com os outros», avalia.

Necessidades e sensações

Todos temos necessidades, percepções e sensações diferentes, afirma Morgane Züger, arquiteta de interiores HES. Levá-las em conta ao criar um projeto é a base da arquitetura e do design de interiores. Mas se, por exemplo, nossos clientes têm necessidades específicas que vão além das nossas competências, trabalhamos em conjunto com outras disciplinas. Os terapeutas ocupacionais são de grande ajuda para antecipar as necessidades de usuários com deficiência física. Por isso, entendo perfeitamente que um ou uma especialista em neuroarquitetura possa ter esse mesmo papel para usuários neurodivergentes.

Eu me vejo como um espelho que deve refletir a personalidade, as emoções e a história do cliente, destaca o arquiteto de interiores Jorge Cañete, do estúdio Interior Design Philosophy. Minha filosofia defende que, para ter bem-estar em casa, a casa precisa estar em harmonia com quem vive nela. Não pode haver descompasso. As cores, os materiais e as formas devem ser uma expressão emocional, um espelho desse estado. Trabalhamos muito com IA na fase criativa para definir territórios ultrapersonalizados, o mais próximos possível do universo íntimo de cada cliente.

Renata Koglin insiste: «A neuroarquitetura vai além das simples noções de gosto, de cores e de sentimentos pessoais. Ela se apoia em dados científicos. Trata-se, por exemplo, de otimizar a luz natural, a ventilação e o conforto térmico, de escolher materiais com texturas e acabamentos agradáveis e de incluir espaços adaptáveis que atendam a diferentes necessidades e atividades. A incorporação de sistemas construtivos inteligentes e de elementos biofílicos (a integração da natureza a um espaço construído) melhora ainda mais as experiências sensoriais dos ocupantes e fortalece os vínculos com a natureza, o que cria ambientes favoráveis à saúde humana, à felicidade e à produtividade.

Link para o artigo original.

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